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Blog do Padre Mauro
 


Cristo: a Nova Aliança em Deus

Tempo Comum. Ano C — 22º Domingo Comum
Cristo: a Nova Aliança em Deus




















[1] Antífona de Entrada Salmo 85, 3.5
Tende compaixão de mim, Senhor,
clamo por vós o dia inteiro.
Senhor, sois bom e clemente,
cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam.

[2] Oração do dia
D
eus do universo, fonte de todo bem,
derramai em nossos corações o vosso amor
e estreitai os laços que nos unem convosco
para alimentar em nós o que é bom
e guardar com solicitude o que nos destes.
Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho,
na unidade do Espírito Santo. Amém!
LITURGIA DA PALAVRA
A Liturgia da Palavra ou Liturgia dos Catecúmenos anuncia um fato, um ensinamento, uma proposta dos Livros Sacros. É oferecida para todos os que desejam ouvir e deve ser feita de modo claro, distinto. Desta forma, ouvindo a Palavra e aceitando

[3] Primeira Leitura
Leitura do Livro do Eclesiástico (Qoelet)
Eclo 3,19–21.30–31 (gr. 17–18,20.28–29)
19 Filho, realiza teus trabalhos com mansidão
e serás amado mais do que um homem generoso.
20 Na medida em que fores grande,
deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor.
Muitos são altaneiros e ilustres,
mas é aos humildes que ele revela seus mistérios.
21 Pois grande é o poder do Senhor, mas ele é glorificado pelos humildes.
30 Para o mal do orgulhoso não existe remédio,
pois uma planta de pecado está enraizada nele e ele não compreende.
31 O homem inteligente reflete sobre as palavras dos sábios,
e com ouvido atento deseja a sabedoria.
Palavra do Senhor!

[4] Salmo responsorial — 67 (68)
Salmo 67 (68), 4.5ac.6.7ab.10.11
Com carinho preparastes uma mesa para o pobre.
— 4 Os justos se alegram na presença do Senhor *
rejubilam satisfeitos e exultam de alegria!
— 5a Cantai a Deus, a Deus louvai, cantai um salmo a seu nome!*
c o seu nome é Senhor: exultai diante dele!
Com carinho preparastes uma mesa para o pobre.
— 6 Dos órfãos ele é pai, e das viúvas protetor: *
é assim o nosso Deus em sua santa habitação.
— 7a É o Senhor quem dá abrigo, dá um lar aos deserdados, *
quem liberta os prisioneiros e os sacia com fartura.
Com carinho preparastes uma mesa para o pobre.
— 10 Derramastes lá do alto uma chuva generosa, *
e vossa terra, vossa herança, já cansada, renovastes;
— 11 e ali vosso rebanho encontrou sua morada; *
com carinho preparastes essa terra para o poder.
Com carinho preparastes uma mesa para o pobre.
[5] Segunda Leitura
Leitura da carta aos Hebreus
Hebreus 12, 18–19.22–24a
Irmãos:
18 Vós não vos aproximastes de uma realidade palpável:
“fogo ardente e escuridão, trevas e tempestade,
19 som de trombeta e vos poderosa”,
que os ouvintes suplicaram não continuasse.
22 Mas vós vos aproximastes do monte Sião
e da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste;
23 da reunião festiva de milhões de anjos;
da assembléia dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus.
de Deus, o Juiz de todos;
dos espíritos dos justos, que chegaram à perfeição;
24a de Jesus, mediador da nova aliança.
Palavra do Senhor.


[6] Aclamação ao Evangelho
Mateus 11, 29ab
ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA!
Tomai meu jugo sobre vós
e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração!
ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA!


[7] Evangelho
Proclamação do Evangelho
de Jesus Cristo segundo Lucas
Lucas 14, 1.7–14
1 Aconteceu que, num dia de sábado,
7 Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus.
E eles o observavam.
Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares.
Então contou-lhes uma parábola:
8 “Quando tu fores convidado para uma festa de casamento,
não ocupes o primeiro lugar.
Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu,
9 e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer:
‘Dá o lugar a ele’. Então tu ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar.
10 Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar.
Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá:
‘Amigo, vem mais para cima’.
E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados.
11 Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado”.
12 E disse também a quem o tinha convidado:
“Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos,
nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos.
Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa.
13 Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres,
os aleijados, os coxos, os cegos.
14 Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir.
Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.
Palavra da Salvação.


LITURGIA DA MEMÓRIA

[8] Sobre as oferendas
Ó
Deus, o sacrifício que vamos oferecer
nos traga sempre a graça da salvação,
e vosso poder leve à plenitude
o que realizamos nesta liturgia.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém!


[9] Antífona de comunhão Salmo 30(31), 20
Como é grande, ó Senhor, vossa bondade,
que reservastes para aqueles que vos temem!
ou Mateus 5, 9–10
Bem-aventurados os que constroem a paz,
porque são chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça,
porque deles é o Reino dos céus.

[10] Depois da Comunhão
R
estaurados à mesa pelo pão da vida, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da caridade fortifique os nossos corações,
e nos leve a vos servir em nossos irmãos e irmãs.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém!
REFLEXÕES BÍBLICO–TEOLÓGICAS

11. “Com carinho preparastes uma mesa para o pobre!” — O Salmo responsorial assinala um realidade nova, renovada pelo Espírito e concreta na história tocada pela Graça: a mesa para o pobre. É uma imagem escatológica e também uma imagem, uma meta histórica. Não se refere apenas ao banquete da eternidade, este também uma imagem de cunho escatológico, mas um desafio histórico dos discípulos do Mestre, em continuidade com os seguidores da Torah — tornar a mesa acessível a todos, especialmente para os que não, por si mesmos e pela sua condição de pobreza, não poderiam alcançá-la.
É um Salmo de notável repercussão social, empenho comunitário, justiça e liberdade. A mesa para o pobre é, deste ponto de vista, uma realidade que se concretiza no alimento ao qual todos devem ter acesso pela natureza, pela ação da criação feita para todos e ao mesmo tempo é uma metáfora para a justiça, para o trabalho digno, para a humanização. É o predomínio do humano sobre o capital. É a inversão do jogo da modernidade econômica. É um sinal de ruptura com o mundo estabelecido de ganância e lucro do anti-cristo. É, seguramente, um enorme desafio pois não tem o glamour das passarelas, o brilho do prestígio, as vantagens do lucro pela especulação. Não é fácil entrar nesta dinâmica pois ela aponta para um outro foco que não é o que se vê e se busca.
Mas o Salmo discorre sobre a relação entre o pobre e Deus. Do lado do pobre aparecem a identidade de “justo”, que tantos sentidos possui no Primeiro Testamento. Seguem-se os nomes de órfãos, viúvas e prisioneiros, concluindo a seqüência poética com o “pobre” do refrão no final do v. 11.
De outro lado o Salmo fala da habitação de Deus, de sua onipotência sobre a natureza (chuva e terra) e da presença na história. De Deus se declara que o seu nome é “Senhor”, o que pré-supõe o nome veterotestamentário: o tetragrama sagrado YHWH que a Septuaginta traduz como “Senhor”. Assim, “Senhor”, isto é, YHWH, é o seu nome, o nome deste Deus. Aquele que existe e que está presente, vê desde sempre e toma consciência do que acontece no mundo que Ele criou. Olha para o pobre e sabe quando ele está sofrendo e porque está no sofrimento.
O Salmo é uma previsão do “discurso programático” de Jesus, feito na Sinagoga de Nazaré. Lá lemos que Jesus aplica sobre si a profecia de Isaías: “Ele foi a Nazara, onde fora criado, e, segundo seu costume, entrou em dia de Sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a leitura. Foi-lhe entregue o livro do Profeta Isaías. Desenrolou-o, encontrando o lugar onde está escrito: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim. Porque ele me consagrou pela unção para evangelizar os pobres, enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor’. Enrolou o livro, entregou-o ao servente e sentou-se. Todos na sinagoga olhavam-no, atentos. Então, começou a dizer-lhes: ‘Hoje se cumpriu aos vossos olhos essa passagem da Escritura’” (Lucas 4, 16–19).
O mesmo Salmo, junto a este “discurso programático” de Jesus no início de sua missão conforme o relato lucano podem ser notados na narração do encontro de Jesus com os emissários de João Batista, em Lucas 7, 18–35, onde Jesus responde à questão levantada por João Batista acerca de sua messianidade com o cumprimento da profecia em favor dos pobres, presos e cegos elencados por Isaías. Assim, Jesus está cumprindo a esperança profética e agindo em nome do Deus libertador e doador da vida, em cujo nome encontramos a idéia de vida embutida.
Não se trata da exclusão de quem não é pobre, mas da predileção pelos pobres, por quem só pode depositar no Senhor sua confiança.

13. Os humildes encontram no Senhor a graça — É neste sentido que a leitura de Qoélet deve ser lida. Lembremos que este livro, Qoélet ou Eclesiástico, é um deuterocanônico do Primeiro Testamento, sendo apócrifo para o cânon judaico e, conseqüentemente não consta do cânon da Reforma. Contudo, sua utilização pelo judaísmo tardio é seguramente atestada e o prólogo (não canônico para todos os efeitos e para todas as confissões) indica que este texto antes foi escrito em hebraico. Sendo um critério determinante para a canonicidade conforme as decisões da reunião de Jamlia, no início da era cristã, a língua dos textos bíblicos e não restando mais um testemunho escrito evidente de Qoélet, este livro foi deixado de lado pelo Judaísmo da antiguidade e medieval. Neste sentido a Reforma também o excluiu, mas o cânon mais tradicional sempre o manteve, inclusive com a peculiaridade do nome grego — Eclesiástico: relativo à Igreja “Ecclésia”, “assembléia” ou Qahal em hebraico, que gera o “Qoélet” que lhe dá o título. Assim, seu título pré-supõe um uso comum e freqüente nas comunidade orantes, seja do Cristianismo seja do Judaísmo tardio.
Os humildes vivenciam a graça que de Deus pois eles sabem ver na simplicidade a linguagem e a realidade de Deus. Eles não precisam de encantos falsos ou de ilusões para compreender os caminhos do Senhor. Eles sabem que o essencial é invisível aos olhos, como diz um conhecido ditado.
O texto de Qoélet é de cunho sapiencial e conforme o estilo hebraico de expressar a sabedoria ou de expor as máximas, aparece uma contradição que evidencia a idéia central. Esta contradição está na constatação do orgulhoso que não tem remédio, que não se converte e permanece na ignorância.
Por outro lado, como um terceiro caminho, o homem inteligente vê, reflete, segue os sábios e assim encontra o caminho. Talvez o homem inteligente é o homem grande, anotado no início da perícope. Assim, encontram-se quatro elementos focados pelo texto: 1) O homem grande que pratica a humildade (v. 20); 2) Os humildes que encontram a graça do Senhor e conhecem os seus Mistérios (v. 21); 3) O orgulhoso que não tem remédio e afunda-se no erro, enraizado em sua alma (v. 30); 4) O inteligente que reflete na sabedoria (v. 31).

14. A contradição e a recompensa da humildade — A perícope de Lucas está dentro da parte do Evangelho em que Jesus está a caminho de Jerusalém e expõe aos discípulos, a Igreja nascente, os valores que devem condicionar sua opção e juízo. Embora a perícope anterior, 13, 34–35 cite Jerusalém e o lamento do Senhor sobre a cidade santa, ainda não é possível compreender que ele já esteja na cidade e sim ainda caminhe em direção a ela. Neste caso a perícope do lamento sobre Jerusalém ou é uma inserção tardia ou uma passagem poética de lamento sem pretensões narrativas.
Jesus está em uma casa de um fariseu. Lá ele cura um homem um problema físico. O texto litúrgico exclui esta parte, passando para a parte da contradição que mostra o ensinamento. Primeiro, o caso dos primeiros lugares, algo tão comum na vida humana e tão compreensível até. Mas Ele exorta à humildade e à temperança. Talvez aqui devêssemos compreender o quanto é necessário conduzir nosso modo de sentir, de viver, de sonhar e experimentar as realidade do dia-a-dia. O mundo moderno e pós-moderno propõe ter e ter cada vez mais; somente tendo e usando abundantemente é que a pessoa é feliz. Sobre isto se assenta toda a argumentação comercial e cultural de nossos tempos. Isto corrompe e destrói o que de mais generoso pode existir.
Então Jesus mostra a necessidade da humildade que é um traço da sabedoria, como já sabemos pela primeira Leitura. A esta sabedoria pode ser acrescentado o pobre que depende exclusivamente de Deus, que o Salmo chama de “O Senhor”. Resta agora saber se realizamos isto.

15. Jesus, o Mediador da Nova Aliança — Isto tudo só pode ocorrer com uma mediação, com uma presença decisiva que tudo transforma e conduz para um fim desejado: a inscrição nos céus (Hebreus 12, 23), citada na segunda leitura.
Em Hebreus aparece a bela imagem da Jerusalém celeste, uma Sião transfigurada, onde os Justos encontram o sentido de sua existência. Esta é, claramente, uma imagem escatológica, mas que alimenta a esperança de novos céus e nova terra, expressão esta que designa a convivência de Deus com o Homem. Isto se dá no Mediador da Nova Aliança: Jesus, o Juiz de todos e que a todos leva à perfeição.
São todos argumentos até certo ponto complexos mas que devem ser traduzidos de forma a levar à compreensão as verdades da experiência com o Senhor: — A humildade é a veste dos sábios e inteligentes; — Os pobres compreendem mais facilmente a ação do Senhor; — Ser sábio e ser pobre é estar vivendo a humildade e isto torna o homem grande; — Estas situações e atitudes somente podem ser alcançadas com a mediação do Senhor Jesus.
16. Tudo o que nos destes — Atenção especial pode ser dada à eucologia da oração do dia: …guardar com solicitude o que nos destes. O dado pelo Senhor, pelo Deus do universo, que ouve a suplica da Assembléia, é a graça que vem da sabedoria, da compreensão da ação do Pai na nossa história.

P. Mauro Negro, OSJ — Biblista
mauronegro@uol.com.br
Seminário Padre Pedro Magnone
Rua Marechal Pimentel, 24 Sacomã
04248-100 São Paulo SP Brasil


Escrito por p.mnegro às 11h16
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Agosto Vocacional

Agosto Vocacional

O Mês Vocacional encerra-se com o término de Agosto. Em algumas comunidades houve manifestações, celebrações, momentos nos quais a Vocação como um dom geral dado à Igreja e as vocações como manifestações particulares deste dom foram destacados e manifestados. Isto é bom pois nosso povo precisa compreender que não é por acaso que existe a Fé ou pela disponibilidade momentânea ou conveniente que acontecem os serviços na Igreja.
A Igreja é um Mistério e como tal só pode ser compreendida e aceita pelo Dom da Graça que nela é gerado. Seremos vocacionados verdadeiramente cada vez que, certos de que devemos dar a nossa contribuição, nos empenhamos na vivência dos valores de Fé que recebemos no Batismo e acolhemos conscientemente em outros momentos sacramentais de nossa vida.
O mundo pós moderno sofre com uma falta crônica, dolorida até, de valores verdadeiros. O individualismo brota nos mais diversos recantos culturais, políticos e sociais. Está também no âmbito religioso. É necessário olhar para o lado e notar a falta de horizontes estampada na face de nossos jovens. Criados por adultos frustrados ou sem condições de paternidade e maternidade, as crianças e adolescentes revelam no seu modo de ser e agir o que vivem e sentem. Isto aprenderam em casa, vivenciaram com a família e os que lhe foram referência. Nós cristãos adultos podemos e devemos ser uma referência para a juventude. Não porém uma referencia de vergonha e aniquilamento, mas de esperança, de valores, de sonhos e trabalhos.
Lembro-me de Mônica e Agostinho ao final deste Agosto Vocacional. Sem entrar no elogio destas duas personagens quero lembrar que eles vivenciaram, cada um ao seu modo, a vocação que receberam do Senhor através da vida e da experiência. Ser mãe e conduzir o filho à verdade. Ser cristão e, assumindo o Episcopado, iluminar com a luz da sabedoria um mundo que caia em trevas.
Que o Mês de Agosto, Mês Vocacional, tenha produzido seus frutos e que eles nos venham a ser úteis. Um abraço e um Pai Nosso.
P. Mauro, OSJ


Escrito por p.mnegro às 23h54
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